Nossa História

Uma história que atravessa séculos na busca de um cristianismo fiel às Escrituras

A Origem dos Batistas

A tradição batista tem raízes muito anteriores à Reforma Protestante, com diversos movimentos, ao longo da história, que buscavam retornar às origens do cristianismo, como os berengarianos, arnoldistas, valdenses, lolardos e taboritas. Embora esses grupos não fossem batistas em sentido denominacional, muitos já defendiam convicções como o batismo de crentes, a autoridade da Bíblia, a autonomia da congregação local, a liberdade de consciência e a separação entre Igreja e Estado.

A identidade batista moderna surgiu no início do século XVII, com os separatistas ingleses John Smyth e Thomas Helwys. Fugindo da perseguição na Inglaterra, fundaram na Holanda a primeira igreja batista conhecida, em 1609. Foi lá que os batistas liderados por Helwys rejeitaram o movimento anabatista — a que Smyth e seus seguidores se uniram ao buscar comunhão com a reforma radical. Em 1612, Helwys retorna para a Inglaterra e fundou, em Londres, a primeira igreja batista do país. Preso por defender sua fé, morreu em 1616.

Esses primeiros batistas ficaram conhecidos como Batistas Gerais, por crerem que Cristo morreu por todos os homens. Com o tempo, surgiram também os Batistas Particulares, oriundos de um contexto congregacional reformado, que adotaram uma soteriologia calvinista. Apesar das diferenças doutrinárias, ambos os grupos compartilhavam princípios essenciais: o batismo de crentes, o governo congregacional, a separação entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa.

Chegada ao Novo Mundo

Apesar da perseguição — principalmente pelas igrejas Anglicana e Presbiteriana — os batistas se espalharam, especialmente nos EUA. Lá, defenderam com firmeza a liberdade religiosa e os direitos civis. Roger Williams, fundador da Colônia de Rhode Island e da primeira igreja batista em solo americano, foi uma das vozes mais influentes nessa causa, promovendo a tolerância religiosa e o respeito à dignidade dos povos nativos. Por sua influência, muitos batistas também estiveram na linha de frente da luta contra a escravidão.

No Brasil, os batistas chegaram com imigrantes norte-americanos em 1871 e, posteriormente, com os missionários William e Anne Bagby, que fundaram a primeira igreja batista em língua portuguesa, em Salvador, com a ajuda do primeiro batista brasileiro, o ex-padre Antônio Teixeira de Albuquerque, batizado em 1881. Entre os pioneiros da missão batista no Brasil, destaca-se também Salomão Luiz Ginsburg, responsável por organizar o hinário Cantor Cristão, o terceiro mais antigo do país. Ginsburg foi também o principal idealizador da futura Convenção Batista Brasileira. Desde então, o trabalho batista cresceu e se consolidou no país.

Simultaneamente, no Sul do Brasil, o movimento batista também crescia pela imigração europeia a partir do final do século XIX, especialmente de eslavos, suecos, alemães e letos, que fundaram igrejas batistas nas colônias onde se estabeleceram. Nesse contexto, em 1910, surgiu a Convenção das Igrejas Batistas Alemãs do Rio Grande do Sul — mais tarde renomeada como Convenção Batista Pioneira do Sul do Brasil —, reunindo igrejas de brasileiros e imigrantes alemães e letos. Mesmo diante de desafios históricos, como as leis de nacionalização da Ditadura Vargas e a escassez de pastores, a Convenção Pioneira se fortaleceu, expandindo seu trabalho missionário para outros estados e mantendo seu compromisso com a evangelização e o ensino bíblico.

A Igreja Batista Pioneira em Cascavel

A Igreja Batista Pioneira em Cascavel (IBPC) nasceu nesse mesmo espírito, em meio ao crescimento da cidade nas décadas de 1970 e 1980. Uma das poucas igrejas da cidade que não se originou de cisões ou disputas políticas e eclesiásticas, teve início como congregação em 1978, com apoio de igrejas do interior paranaense e gaúcho. As primeiras reuniões ocorreram na residência do casal Gerhart e Vanda Radke, sendo a igreja acolhida também, em diferentes momentos, na casa pastoral e no templo da Primeira Igreja Batista de Cascavel.

As principais apoiadoras da incipiente congregação em Cascavel foram a Primeira Igreja Batista em Marechal Cândido Rondon e a Primeira Igreja Batista em Nova Santa Rosa, ambas no Paraná, sendo aquela considerada a igreja-mãe da IBPC. Apesar das dificuldades iniciais, a Congregação Batista Pioneira em Cascavel foi organizada como igreja em 9 de março de 1980. Desde então, enfrentou desafios com fé e perseverança, recebendo bênçãos com gratidão e humildade. Tem se mantido fiel ao Evangelho, aberta ao diálogo com outras igrejas e firme em sua missão de proclamar Cristo e servir a comunidade.

Ser batista, portanto, não é apenas pertencer a uma tradição denominacional. É fazer parte de uma herança de fé tão antiga quanto a Igreja de Cristo — uma história rica e complexa, marcada por milagres e bênçãos, por coragem, fidelidade e perseverança. Uma tradição que valoriza a Bíblia como autoridade suprema, a liberdade de consciência como direito inalienável e a igreja local como uma comunidade autônoma, chamada a viver e a proclamar o Reino de Deus neste mundo.